Sobre o absurdo do Evangelho

        Uma das coisas que mais me admira em Deus é o modo como Ele se relaciona com os seres humanos. Não sou nenhuma teóloga, nem nada do tipo, e o meu conhecimento sobre outras religiões se resume às pesquisas que fiz, aos livros que li e às aulas de história que tive na escola. Mas o cristianismo, esse eu conheço na prática (ou ao menos, me esforço para isso todos os dias). O que mais me encanta no cristianismo é que ele prega um deus completamente diferente de tudo o que já se viu. Nas demais religiões, a relação dos deuses com os seres humanos acontece de duas maneiras básicas:

        Na primeira, o deus é soberano e criador de todas as coisas, mas seu relacionamento com os seres humanos é distante, limitando-se à adoração e veneração, aos sacrifícios e às boas obras; sem uma intimidade real, concreta. Na segunda, o deus tem um comportamento bem humano, isto é, além de divinos, possuem emoções e situação totalmente humanas, agindo conforme suas preferências e gosto, motivados por ciúmes, inveja, orgulho ferido, paixão, ira, tristeza. Na terceira, o deus possui uma relação saudável com os seres humanos, servindo como seus “guias espirituais”, instruindo-os às boas práticas e ao seu crescimento, à sua elevação. Sinceramente, entro em êxtase e um sorriso bobo pende nos meus lábios ao pensar no nosso Deus.

        Do começo ao fim, a Bíblia é uma história de amor. Da primeira palavra até a última, ela fala sobre um Deus soberano, totalmente bom, justo, digno, louvável, generoso e amoroso que, sendo uma fonte inesgotável de Amor, um belo dia decidiu que criaria seres vivos aos quais pudesse direcionar o Seu amor. Fez o céu, a terra, as plantas, os mares, os animais e dentre eles, moldou com suas próprias mãos o homem e dele, a mulher. O coração Dele encheu-se de alegria diante da possibilidade de amar aquelas duas criaturas. E o que esse Deus tão grandioso e poderoso deseja em troca de suas criaturas? Adoração? Sacrifícios? Uma vida de legalismo (regras)? Não, nada disso. Tudo o que Ele pede em troca é AMOR.

    Esse é um ponto importante: quando se fala de livre arbítrio as pessoas logo o relacionam com “liberdade para fazer o que eu bem entender com a minha vida”. Isso é um significado muito superficial para palavras tão profundas. O livre arbítrio é sobre uma decisão, a mais importante que você vai tomar em algum momento. Qual seria essa decisão? Adorar a Deus ou não? Não, não é isso. A adoração está na nossa essência, nós adoramos o tempo todo (seja a Deus, seja a nós mesmos, aos nossos prazeres, nossas vontades; etc.). A grande decisão da nossa vida é: diante do conhecimento de que existe um Deus que me ama intensamente, devo escolher amá-lo de volta ou não. O que eu farei ou deixarei de fazer na minha vida depois disso, é uma mera consequência de amar a Deus ou amar a nós mesmos.

         Parece loucura não é? Quer dizer, que tipo de religião é essa que se baseia em amor? Que tipo de crença é essa cuja base é um sujeito altíssimo que ama seres falhos e passíveis de erro e que literalmente pede que o amem em troca. Não são as minhas palavras, são das Dele próprio: pela boca de Jesus, disse “Ame ao Senhor de toda a sua alma, de todo o seu coração e de todo o seu entendimento” (Mateus 22.37). Mas que loucura é essa?! Tudo se torna ainda mais estranho quando você pensa em Jesus. Deus decidiu que, para que os seres humanos pudessem ter novamente acesso ao Seu amor, isto é, para que a barreira do pecado fosse retirada e o caminho do amor estivesse livre outra vez; Ele decidiu vir até a Terra mandando seu filho Jesus, uma parte dele mesmo, para MORRER por nós. Mas que Deus é esse?!

       Que Deus cria seres humanos para amá-los e depois morre por eles?! Você sente, você se sente tão pasmo quanto eu?! Por favor, me diga que sim. Por favor, me diga que fica chocado diante dessa realidade. Diga-me que, ao pensar na cruz, você não fica impassível, insensível ou acomodado. Diga-me que a cruz não deixou de te impressionar. Diga-me que, ao pensar que um Deus glorioso decidiu abrir mão de toda Sua glória para vir à Terra para ser humilhado, açoitado, cuspido, ofendido, transpassado e crucificado, só pra que você pudesse ter acesso ao Seu amor; o seu coração se enche duma alegria genuína e transbordante.

    O cristianismo não é uma religião, é uma pessoa. É a pessoa de Cristo, é a manifestação física do Amor de Deus. É a maior prova de amor que esse mundo já viu. É um amor que jamais mereceremos, mas que continua existindo e desejando nos atingir constantemente. É um Amor que sente alegria em nos amar. É a coisa mais louca que você vai ouvir na sua vida, mas é a loucura mais sensata que já experimentei. O Amor de Deus é completamente direcionado a você, mas independe de você. Nada do que você faça vai diminuir ou aumentar esse amor; nada é capaz de muda-lo. Ele já te amava antes de você descobrir isso e continuará te amando mesmo que você Lhe dê as costas. Você é objetivo do Amor, mas ele existe independente de você. É como um rio que corre e que te convida a mergulhar. A melhor decisão que você poder tomar, é se jogar nesse rio e deixar que a correnteza te conduza.

         É por se basear nesse Amor que a Bíblia confirma em si mesma sua veracidade. Isto é, se a intenção de alguém ao “inventar” a Bíblia fosse a manipulação das pessoas e sua alienação, não deveria ter baseado isso no medo? Para manipular um povo não seria mais prático usar regras, ameaças, a própria lei?    Não seria mais eficaz falar de um Deus justiceiro, vingativo, frio e indiferente? Muito pelo contrário: a Bíblia fala de um Deus que deseja ardentemente um relacionamento com as pessoas e que é constantemente magoado, rejeitado, abandonado, traído. O que ele faz diante dessas recusas? Ele insiste um pouco mais e continua insistindo. Pare para ler o livro de Isaías por alguns instantes. Fiquei chocada com o que encontrei ali. Vi um Deus fazendo metáforas. Vi Deus falando que se sentia como um marido abandonado pela esposa, mas que a aceitaria de volta em casa a qualquer momento. Vi Deus dizendo se sentir como um pai que cria seu filho com amor, mas o jovem rebelde foge de casa e o pai continua desejando trazê-lo de volta.

        Eu vi um Deus que não desiste dos seres humanos, que nos deseja infinitamente mais do que o desejamos. Eu vi algo que jamais vi em nenhum outro lugar. Eu vi um Deus que é completamente Amor e totalmente apaixonante. Eu vi um Amor que é irresistível e que dá um novo significado à minha vida. Eu vi um Amor que me pega no colo e diz: “Você tem sido rebelde, tem fugido de mim. Você me deu as costas durante anos, ignorou a minha voz e me magoou com seus pecados. Riu de mim, falou mal de mim, teve ódio de mim e durante muito tempo, continuou comigo por mera obrigação e não por vontade própria. Sabe o que eu vou fazer com você agora? Eu vou te abraçar. Eu vou te dizer quantas vezes for preciso que eu te amo, porque você finalmente entendeu. Finalmente entendeu que eu amo você acima de todas as coisas e que tudo o que eu quero é que você me ame da mesma forma. Você é minha filha e eu sou seu Pai. Isso é tudo de que você precisa.”.

     E Ele estava, ou melhor, está certo. Esse amor é o alimento da minha alma, o combustível da minha vida. Nada mais importa, nada mais tem valor ou o menor sentido longe desse Amor. Não há vida fora desse amor e, se há, eu não quero vive-la. Eu sou Dele desde que me criou, mas meu coração só passou a ser Seu quando O conheci. Eu fui adotada, perdoada, restaurada, salva da morte em múltiplos sentidos. Eu recebi um presente que jamais imaginei receber. A simples frase “Deus me ama” mudou minha vida. Não é sobre uma religião que estou falando, não de uma crença ou uma doutrina, e sim de Amor. O que Ele te oferece hoje é uma frase que desejo de todo o meu coração que você compreenda em toda sua profundidade: Deus te ama. Você só precisa aceitar. Só precisa deixar que Ele te ama. Sabendo que não pode impedi-lo de te amar, aceite viver esse amor. A maior garantia que você pode ter de que isso mudará a sua vida, não são as minhas palavras, e sim as Dele:

            “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer, não morra, mas tenha a vida eterna.” João 3.16



Comentários