Infinitamente mais
De todos os versículos que poderia utilizar, me lembro desse,
Efésios 3.20-21: "Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que
tudo aquilo que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós,
a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para
todo o sempre! Amém!". Há quase dois anos fui num acampamento de jovens para o
qual não queria realmente ir. Igreja nova, pessoas novas, crise de ansiedade,
medo de rejeição. Sentada na calçada, chorando, orei a Deus: "Senhor, faça
essa viagem valer a pena. Por favor, faça algo bom acontecer, faça algo sair
disso." Ele fez e eu fico maravilhada (e chocada) ao pensar nisso. Fez,
como diz o versículo, infinitamente mais do que eu poderia sequer
imaginar.
Naquele acampamento, divididos em dois times, tínhamos que fazer uma esquete para apresentar na manhã de domingo. O tema era ação. Depois de muita discussão infrutífera, às duas da manhã, a maioria do grupo foi dormir. Sete pessoas permaneceram e foi sendo uma desses sete quem vivenciei uma das experiências mais densas da minha vida. O Senhor trouxe a inspiração para um roteiro e, às três da manhã, numa capelinha no meio do mato, cansados e sobrecarregados, ensaiamos. A peça conta a história de Edu, um homem que, ao ser assaltado enquanto andava com a mulher e filho na 25 de março, morre. A estrutura da peça são diálogos e flash backs que justificam o encontro que Edu teve depois da morte. Aliás, o título da peça é: "O Encontro - com quem você irá se encontrar depois de morrer?". Essa história martelou minha cabeça durante os últimos dois anos e, agora, no IDE 2018, pude ver Deus dar continuidade à Sua obra.
No começo de janeiro, surgindo a proposta de criarmos um
novo musical para apresentarmos no IDE, trabalhamos num roteiro baseado na
esquete. Chamamos as pessoas para participar e, na terça feira da semana
passada, eu, Leonardo, Meire e Weslley pudemos vivenciar
mais uma vez a experiência da capelinha. Foi como voltar no tempo. Meu coração
se alegra em ver o modo como as mãos Dele conduziram tudo para isso. O homem de
bermuda vermelha na foto nos abordou no domingo passado, durante o evangelismo
de rua numa praça. Abordou-nos pedindo para que falássemos sobre Deus. Depois
de algum tempo de conversa, oramos por ele e o convidamos a assistir a peça na
segunda feira de noite. Não pude deixar de pensar "Deus do céu, esse cara
é um Edu.". Passei o resto do dia com esse moço na cabeça e, na segunda à
noite, Deus me deu um presente que jamais vou ser capaz de retribuir.
Apresentamos a peça debaixo de lágrimas e muita tensão.
Ao término, recebi muito abraços e chorei junto com muita gente. A sensação de
dever cumprido me trouxe alívio no peito. Foi quando me disseram que o moço
estava no ginásio e havia assistido a peça. Ali eu desabei. Meu coração se
encheu de alegria e vergonha, sim vergonha, porque eu duvidei, duvidei que ele
fosse, duvidei do que Deus poderia fazer. E Ele fez muito. O homem que esta
conversando com o moço na foto é o pastor da Igreja Batista de Joanópolis. A
conversa aconteceu depois que, numa oração regada de lágrimas, o moço aceitou a
Jesus. A vida dele agora está nas mãos de Deus. Como disse a ele naquela
segunda feira: "Voltaremos para São Paulo amanhã. Eu não sei se você vai
estar vivo amanhã, mas sei que Deus está te dando uma oportunidade hoje, então
não a deixe passar.". Agora em São Paulo, o que me resta é orar por essa
vida que, definitivamente, foi um presente que ganhei de Deus.
A mensagem que fica em meu coração é: existem muitos
Edu's e Lúcia's por ai. Cabe a nós estarmos sensíveis para o trabalhar do
Espírito e prontos para ajudar, ouvir e amar aqueles que precisarem. Não perca
as oportunidades que Deus lhe dá. Não deixe que as pessoas a sua volta tenham
dúvidas de que, ao morrer, seu encontro será com o Rei da glória!
"Portanto IDE, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Mateus 28.19

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